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Politica·

200-300 participam em marcha do Dia da Mulher em Andorra a exigir direitos ao aborto

Feministas marcharam em Andorra la Vella contra a única proibição total de aborto no continente, exigindo também o fecho da lacuna salarial de 22% e o combate à violência.

Sintetizado a partir de:
Diari d'AndorraEl PeriòdicBon DiaAltaveu

Pontos-chave

  • Marcha de 200-300 da Plaça de la Rotonda à Plaça Coprínceps com cânticos por 'O meu corpo, a minha decisão' e direitos ao aborto.
  • Andorra único país europeu com proibição total de aborto; mulheres enfrentam encargos de viagem e sem referências médicas.
  • Exigências visam lacuna salarial de 22%, violência crescente, desigualdades laborais e adesão à OIT.
  • Licença de paternidade acelerada para 20 semanas até 2030 face a baixas taxas de natalidade.

Cerca de 200 a 300 pessoas juntaram-se à marcha do Dia Internacional da Mulher promovida pela Acció Feminista a 8 de março de 2026, percorrendo o centro de Andorra la Vella e Escaldes-Engordany desde a Plaça de la Rotonda até à Plaça Coprínceps. A manifestação, marcada por cânticos como "O meu corpo, a minha decisão" e cartazes a exigir direitos ao aborto, centrou-se nos apelos à despenalização do procedimento, que continua totalmente proibido no Principat — o único país europeu com tal proibição, segundo a secção francesa da Amnesty International.

A presidente da Acció Feminista, Laia Ferré, destacou um retrocesso global nos direitos e estagnação local, notando que um projeto de lei prometido sobre o aborto foi arquivado em meio a negociações com o Vaticano e declarações recentes do Papa Leão XIV. Criticou a falta de opções de referência médica, deixando as mulheres "totalmente desprotegidas" e obrigadas a viajar para o estrangeiro com custos económicos e emocionais. Ferré contestou também a comparação feita pelo representante andorrano na ONU, Ferran Costa, entre o aborto e tratamentos rotineiros no estrangeiro, chamando-a de imprecisa face às penalizações para mulheres e médicos.

Outras exigências incluíram o combate à lacuna salarial de género de 22%, ao aumento de casos de violência de género e às desigualdades laborais. O Stop Violències acusou o governo de eventos "cosméticos" — como teatro infantil sobre pressão estética — que ignoram o risco de pobreza das mulheres, com 54,6% dos pedidos de pensão de solidariedade em 2025 a serem de reformadas. O grupo exigiu adesão à OIT, tratados internacionais de trabalho e estudos sobre a realidade das mulheres trabalhadoras, citando regras de despedimento livre, cobertura de salário mínimo sem dependência conjugal e horários do turismo que prejudicam o equilíbrio familiar.

Grupos feministas acolheram a aceleração parlamentar da equiparação da licença de paternidade — dos atuais quatro semanas para 20 até 2030, reduzindo o prazo de oito anos — vendo-a como essencial para o partilho de cuidados infantis face às baixas taxas de natalidade. Ativistas da Acció Feminista e da Associació de Dones d'Andorra, incluindo Elisabet Royuela e Patty Bafino, revistaram conquistas como a lei de igualdade efetiva e reformas passadas sobre ligadura das trompas e nacionalidade, mas sublinharam batalhas em curso sobre aborto, disparidades salariais, "tetos de vidro", compensações inadequadas às vítimas e desinformação online que retrata o feminismo como anti-homem.

Um editorial do *El Periòdic d'Andorra* descreveu a afluência como moderada e o ambiente como resignado, alertando contra a normalização do 8 de março face ao trabalho por fazer em lacunas salariais e violência sexista. Figuras políticas marcaram presença, incluindo Olalla Losada de Andorra la Vella, vereadores do Comú e representantes da Concòrdia e dos Socialdemòcrats.

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