Voltar ao inicio
Politica·

Massagista francês nega acusações de agressão sexual em julgamento em Andorra adiado

Audição suspensa até 9 de dezembro após doença do procurador público; arguido, detido desde março, enfrenta três acusações incluindo dois alegados estupros.

Sintetizado a partir de:
Diari d'AndorraAltaveuARA

Pontos-chave

  • Audiência adiada para 9 de dezembro após doença do procurador público.
  • Arguido em prisão preventiva desde março enfrenta três acusações de agressão sexual, duas tratadas como alegados estupros.
  • Dezenas de antigas pacientes testemunharam positivamente; arguido diz que práticas de tratamento tornam contacto íntimo improvável.
  • Testes forenses inconclusivos; exame ginecológico sem lesões; relatórios psicológicos notam sintomas de trauma em duas queixosas.

Um massagista francês em julgamento em Andorra negou todas as acusações enquanto o processo foi adiado até 9 de dezembro após o procurador público ter adoecido. A audiência, que começou no início desta semana no tribunal da Batllia, foi suspensa no início da sessão quando o tribunal informou as partes da indisposição médica do procurador; todas as partes concordaram com o adiamento.

O arguido, que se encontra em prisão preventiva desde a sua detenção em março de 2024, enfrenta três acusações de agressão sexual, duas delas tratadas como alegados estupros. A primeira queixa data de outubro de 2022, quando a queixosa diz que era menor; duas queixas adicionais foram apresentadas em 2024 e motivaram a sua detenção. Os procuradores pedem penas de prisão e indemnizações civis.

Os trabalhos judiciais já foram interrompidos uma vez por um incidente estrutural: numa sessão anterior, um painel de falso teto na sala de audiências caiu cerca de 10 centímetros, causando alarme e uma evacuação enquanto técnicos inspecionavam a instalação. O julgamento continuou numa sala adjacente após a interrupção.

No seu depoimento, o arguido rejeitou as alegações e mantém que as suas práticas de trabalho tornam improvável o contacto íntimo. Disse ao tribunal que normalmente trata as costas dos pacientes e as partes externas das pernas em vez das coxas internas ou áreas genitais, que alguns clientes eram tratados em roupa interior e que tipicamente não usava lençóis ou mantas, mas informava os pacientes disso antecipadamente. A defesa argumenta que qualquer contacto foi consensual e que as provas são insuficientes para uma condenação.

A defesa chamou dezenas de antigas pacientes ao estrado, muitas das quais descreveram resultados terapêuticos positivos, recomendaram o massagista a familiares e elogiaram a sua maneira de tratar. Várias testemunhas notaram também que ele oferecia terapias alternativas e participava em atividades comunitárias locais, incluindo um coro.

Os procuradores apresentaram trocas de WhatsApp que dizem ser entre o massagista e uma queixosa, alegando mensagens eliminadas e perguntas pessoais enviadas pelo arguido. O arguido negou recordar ter eliminado mensagens, atribuiu lacunas ao esquecimento e ao partilhar um telemóvel de trabalho com a sua parceira, e contestou a interpretação da acusação das conversas.

Peritos forenses e médicos testemunharam sobre os limites práticos de provar contacto sexual a posteriori. Um exame ginecológico a uma queixosa não detetou lesões; o perito disse que é clinicamente muito difícil determinar se ocorreu contacto digital e que a ausência de lesões é compatível tanto com agressão inexistente como com intrusão não visível. A polícia científica reportou apenas vestígios minúsculos de talco, insuficientes para estabelecer uma correspondência com recipientes apreendidos e limitados pela volatilidade do produto.

Avaliações psicológicas apresentadas no processo identificaram sintomas em duas queixosas consistentes com o impacto emocional de trauma, incluindo sintomas de stress pós-traumático, pesadelos e comportamentos de evitação. Embora os relatórios enfatizem a coerência nos relatos das vítimas, não constituem prova física direta. A defesa apresentou um relatório de um psiquiatra concluindo que o arguido não tem patologia mental e funciona normalmente, notando traços narcisistas leves.

A cobertura das audiências destacou também uma potencial discrepância que a acusação poderá explorar: o arguido negou ter estado presente numa terceira visita de uma paciente específica — a sessão durante a qual uma queixosa alega que o estupro ocorreu —, enquanto a sua parceira, que também trabalhava com ele, terá dito que ele esteve presente. Tanto a defesa como a acusação procurarão avaliar a importância dessa inconsistência.

Com os testemunhos periciais concluídos, as partes esperam que os relatórios periciais finais e as alegações de encerramento sejam decisivos. O tribunal retomará o julgamento a 9 de dezembro para ouvir as alegações finais; ainda não foi proferida sentença.

Partilhar o artigo via