Oposição venezuelana exige responsabilização de Delcy Rodríguez por encobrimento de branqueamento de capitais em Andorra
O escândalo envolve milhões canalizados através da Banca Privada d'Andorra para projetos fictícios de petróleo e trocas de obrigações, com documentos da BPA a expor contas ocultas de Lacava apesar da inação das autoridades.
Pontos-chave
- Rafael Lacava geriu conta na BPA em 2009 para 'comissões de intermediação' em refinaria não construída e trocas de obrigações, ocultas via estruturas corporativas.
- Documentos da BPA revelam transferências da Venezuela para a Suíça; gabinete em Caracas facilitou operações.
- Autoridades venezuelanas ignoraram provas apesar da exposição pública; sem inquéritos de procuradores, tribunais ou assembleia.
- Oposição culpa Rodríguez por bloquear investigações sobre o 'monumental' saque por aliados de Maduro.
Figuras da oposição venezuelana exigem responsabilização de Delcy Rodríguez, a nova líder interina do país, pelo alegado papel no encobrimento de um grande escândalo de branqueamento de capitais que envolveu milhões de dólares canalizados através da Banca Privada d'Andorra (BPA).
O caso, que ressurgiu no meio de acusações mais amplas de conduta financeira e diplomática inadequada que mancham a liderança de Rodríguez durante a transição de Venezuela, centra-se em Rafael Lacava, governador do estado de Carabobo e membro proeminente do Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV) de Nicolás Maduro. Críticos afirmam que Rodríguez, parte do círculo íntimo de Maduro ao lado de Lacava e Diosdado Cabello, não agiu apesar da exposição pública do esquema.
Documentos dos ficheiros internos da BPA, revelados após os EUA designarem o banco como ameaça primária de branqueamento de capitais em 2015, mostram que Lacava geriu uma conta lá em maio de 2009 enquanto servia como presidente da câmara de Puerto Cabello, sede do principal porto da Venezuela. Os fundos — ligados a comissões de vários milhões de dólares por 'serviços de intermediação' num projeto de refinaria de petróleo nunca construído, bem como trocas de obrigações através de uma corretora — foram alegadamente disfarçados através de uma complexa estrutura corporativa.
A conta de Lacava em Andorra estava ligada à Iberoamerica Assets Corporation, com um titular fictício a ocultar o beneficiário final. O gabinete da BPA em Caracas, localizado no centro comercial Ciudad Tamanaco e com recrutadores Antonio Salvador Lozano e Mariela Prieto González, facilitou transferências da Venezuela para a Suíça, onde Lacava já detinha participações num veículo de investimento SICAV nessa altura.
Uma nota interna da BPA referiu resistência inicial do representante da Iberoamerica a divulgar o verdadeiro titular da conta, alegando que Salvador já conhecia a identidade. O economista, de 57 anos, teve cargos anteriores incluindo presidente da câmara de Puerto La Cruz em Carabobo, deputado da Assembleia Nacional (2006-2007) e embaixador em Itália (2007-2008), todos sob a administração de Hugo Chávez.
Apesar da publicação das provas, as autoridades venezuelanas não tomaram qualquer ação. Nem o gabinete do procurador do regime nem os tribunais investigaram, mesmo após um deputado da Assembleia Nacional levantar a questão. O Contralor Geral e o parlamento também recusaram investigar ou interrogar Lacava, que nunca comentou publicamente.
A ex-procuradora Zair Mundaray descreveu o saque como 'monumental', acusando o regime chavista de roubo inquantificável. O escrutínio renovado implica agora diretamente Rodríguez por supostamente bloquear investigações sobre as revelações apoiadas pela BPA. Nem Lacava nem Rodríguez responderam às mais recentes exigências de explicações.
Fontes originais
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