Orçamento de Andorra para 2026 reforça pensões baixas em meio a preocupações com habitação e cuidados aos idosos
Federação de Associações de Idosos elogia aumentos escalonados das pensões para os mais baixos, mas alerta para falta de habitação, lacunas em lares de reforma e riscos iminentes.
Pontos-chave
- Pensões abaixo do salário mínimo de 1525 € sobem 5,4% (dobro da inflação), retroativas a 1 de jan.; escalões superiores com menos ou nada.
- Federação de idosos pede reforço de 5M€ ao Fundo de Reforma e contribuições mais altas, rejeitados pelo governo.
- Sem novos lares de reforma; expansões limitadas de habitação pública face a riscos do descongelamento de rendas em 2027.
- Jovens e políticos criticam crise habitacional que impede emancipação e provoca êxodo de talentos.
Fèlix Zapatero, presidente da Federação de Associações de Idosos, acolheu favoravelmente os aumentos escalonados das pensões delineados no orçamento de Andorra para 2026, aprovado esta semana, ao mesmo tempo que levanta preocupações sobre as pressões habitacionais e a capacidade insuficiente de lares de reforma antes do fim do congelamento de rendas em 2027.
O orçamento introduz aumentos escalonados para pensões mais baixas, cumprindo uma exigência chave que a federação apresentou ao chefe do governo em outubro passado durante a Festa Magna. As pensões de reforma e de viuvez abaixo do salário mínimo de 1525 € subirão 5,4% — o dobro da taxa de inflação de 2025 de 2,7% —, com efeito retroativo a partir de 1 de janeiro, à espera da assinatura final. Aquelas entre uma e duas vezes o salário mínimo recebem um aumento de 2,7% equivalente à inflação; entre duas e três vezes, 25% da inflação; e as acima de três vezes mantêm-se congeladas.
Zapatero descreveu a medida como «generosa» para os mais baixos, notando que as pensões altas — detidas por apenas 80-90 pessoas — afetam poucos e frequentemente complementam pensões estrangeiras de países como Espanha, França ou Portugal. Advertiu contra médias enganosas: a pensão média de 1200 € reflete períodos de contribuição mais curtos para os chegados mais tarde, como aqueles que começaram a trabalhar em Andorra aos 40 anos, em comparação com os locais desde os 18. Para 35-40 anos de contribuições, as médias atingem 1300-1400 €.
A federação continua a defender um reforço de 5 milhões de euros no Fundo de Reserva de Reforma de 2 mil milhões de euros, uma prática na Espanha e França, embora o governo o tenha rejeitado, citando financiamento suficiente. Zapatero destacou o atraso nos aumentos da taxa de contribuição — atualmente 22% face a 40% no estrangeiro — como essencial para combater o risco de pobreza idosa de 22%, instando a um consenso parlamentar apesar da cautela pré-eleitoral.
Os problemas habitacionais agravam os riscos, sem novos lares de reforma em curso e expansão lenta de lugares públicos ou subsidiados. O descongelamento de rendas em 2027, embora regulado, ameaça os inquilinos face ao stock acessível limitado. Os esforços do governo incluem contactar 800 proprietários de apartamentos turísticos para os converter em arrendamentos, mais nova habitação pública: 70 frações em Arinsal este fevereiro, progresso lento em Pessebre em Escaldes-Engordany, frações em Canillo, 18 apartamentos reabilitados em Andorra la Vella via Reviu, e habitação tutelada em Sant Julià pela Fundació Laurus. Zapatero considerou estas medidas positivas mas de pequena escala face ao volume total do mercado.
Líderes juvenis ecoam as tensões habitacionais que provocam a «fuga de talentos». A presidente do Fórum de la Joventut, Lisa Cruz, disse que a emancipação é «praticamente impossível» devido aos elevados custos que limitam poupanças e estabilidade, com os programas governamentais direcionados a famílias ou altos rendimentos. «É mais fácil encontrar um futuro fora de Andorra», acrescentou, apelando a melhores dados e proteções sociais.
Vozes políticas concordam. A vereadora do PS Laia Moliné considerou os esquemas de garantia inviáveis para jovens sem almofadas para compras ou rendas, instando a uma lei abrangente de habitação, índice de preços e medidas antiespeculação: «Andorra expulsa os jovens». Carine Montaner, do Andorra Endavant, propôs casas modulares em terrenos públicos priorizando jovens andorranos, profissionais e empreendedores para fomentar raízes e partilha de ideias. Clara Grau, da Concòrdia, viu os problemas juvenis como reflexo de vulnerabilidades mais amplas, defendendo investimento maciço em habitação pública e limites ao investimento estrangeiro para conter a especulação e incentivar retornos após os estudos. Todos criticaram os programas de garantia como desajustados para os jovens.
Fontes originais
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