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Politica·

Papa Leão XIV Condena Aborto, Maternidade Substituta e Eutanásia no Discurso de Ano Novo

Forte rejeição do pontífice às práticas que negam a vida agudiza debate sobre a despenalização do aborto em Andorra, em meio a negociações em curso com o Vaticano.

Sintetizado a partir de:
Diari d'AndorraAltaveuARAEl Periòdic

Pontos-chave

  • Papa rejeita aborto como interrupção da vida, maternidade substituta como mercantilização de crianças e eutanásia em favor de cuidados paliativos.
  • Governo de Andorra minimiza impacto, reafirma compromisso com direitos das mulheres e negociações abertas com o Vaticano.
  • Partidos da oposição criticam gestão; alguns veem alinhamento com doutrina católica.
  • Grupos de mulheres exigem despenalização em casos de violação, malformação fetal e riscos para a saúde materna.

O Papa Leão XIV condenou veementemente o aborto, a maternidade substituta e a eutanásia no seu tradicional discurso de Ano Novo ao corpo diplomático no Vaticano, na sexta-feira, com a presença do embaixador de Andorra, Carles Álvarez. O pontífice rejeitou «categoricamente qualquer prática que negue ou explore a origem da vida e o seu desenvolvimento», especificando que o aborto interrompe uma vida em crescimento e recusa o dom da vida. Opôs-se também à maternidade substituta por mercantilizar as crianças e explorar as mulheres, promovendo os cuidados paliativos em vez da eutanásia.

As declarações aguçaram o debate sobre o impulso de Andorra para despenalizar o aborto, preservando a co-principado. Responsáveis governamentais minimizaram o impacto, insistindo que as negociações com o Vaticano e o co-príncipe episcopal Josep-Lluís Serrano Pentinat continuam abertas. A ministra do Interior, Conxita Marsol, em direto na RTVA, descreveu as declarações como «manifestações contundentes», mas reafirmou o compromisso do executivo em equilibrar os direitos das mulheres com o enquadramento institucional. Fontes próximas das negociações expressaram confiança na continuação do diálogo apesar dos atrasos, notando que os recentes discursos de Serrano enfatizaram o acompanhamento das pessoas em situações difíceis, incluindo mulheres em crise.

As reações da oposição variaram. Núria Segués, do Concòrdia, expressou surpresa e frustração, questionando a gestão governamental das negociações após dois anos e uma aparente paralisação quando o progresso parecia possível. Comprometeu-se a continuar a pressionar pelo direito das mulheres a decidir sobre os seus corpos. Susanna Vela, dos Social-democratas, classificou o discurso como um «discurso muito duro ancorado à direita», alertando que complica negociações já suspensas e instando os políticos a priorizarem os direitos das mulheres sobre a influência da Igreja, mesmo à custa do risco institucional. Carine Montaner, do Andorra Endavant, sublinhou que a posição do Papa está alinhada com a doutrina católica de longa data que defende a vida desde a conceção até à morte natural, sem novidade.

Os Demòcrates per Andorra minimizaram igualmente a mudança, afirmando que as palavras do pontífice não alteraram o diálogo em curso nem o objetivo de despenalização dentro dos limites constitucionais.

Grupos de mulheres expressaram deceção, mas apelaram à ação. Geli, presidente da Associació de Dones, notou um revés sob Leão XIV após avanços percebidos anteriormente, apelando ao Governo para prosseguir com as negociações e garantir a despenalização em pelo menos três casos: violação, malformação fetal e riscos para a saúde materna. Laia Ferrer Marot, da Acció Feminista, destacou a posição imutável da Igreja, contrastando-a com as proteções constitucionais em França sob o co-príncipe Emmanuel Macron, e exigiu passos nacionais para garantir o direito localmente, considerando a mera despenalização insuficiente.

Atualizações recentes confirmam que não há rutura nas negociações, embora a previsão do primeiro-ministro Xavier Espot, em setembro, de debate parlamentar até final de 2025 não se tenha concretizado, e o discurso de Natal de Serrano tenha evitado o tema.

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