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Politica·

Presidente da AMVGK denuncia genocídios curdos em conferência na Andorra

Tchiayi Emin detalha quatro campanhas genocidas contra os curdos e procura colaboração andorrana para reconhecimento e proteção face ao extermínio em curso.

Sintetizado a partir de:
Diari d'Andorra

Pontos-chave

  • Quatro genocídios chave: repressão dos anos 1970-80, eliminação Barzani em 1983, Anfal de 1988 (182 000 mortes), genocídio yazidi de 2014 pelo ISIS.
  • Quase 840 000 vítimas só no Curdistão iraquiano, parte de extermínio contínuo na região.
  • Emin, sobrevivente do Anfal, partilhou história de fuga e pediu reconhecimento unificado e proteções.
  • Procura laços institucionais/académicos/económicos da Andorra para sensibilizar sobre conflito marginalizado.

Tchiayi Emin, presidente da Association Mondiale Des Victimes du Genocide Kurde (AMVGK), proferiu na terça-feira às 19h30 uma conferência a denunciar os genocídios contra o povo curdo nas últimas décadas, enviando também uma carta ao chefe do Governo andorrano, Xavier Espot, em busca de potencial colaboração institucional, académica ou económica.

O evento, realizado em formato de mesa redonda, integrou a campanha internacional de sensibilização da AMVGK lançada em 2017 para promover o reconhecimento formal destas atrocidades e uma proteção acrescida para os curdos. Emin, residente em Montauban com longa ligação pessoal à Andorra através de visitas frequentes e contactos com políticos e juristas, detalhou quatro episódios chave que o seu grupo considera genocídios: campanhas repressivas no Curdistão iraquiano durante os anos 1970 e 1980; a eliminação em 1983 de mais de 8000 membros do clã Barzani; a operação Anfal de 1988, que causou 182 000 mortes através de bombardeamentos químicos, execuções em massa e valas comuns — muitas ainda em documentação; e o genocídio contra os yazidis em 2014 pelo Estado Islâmico. Citou cerca de 840 000 vítimas só no Curdistão iraquiano, excluindo os efeitos no Irão, Turquia e Síria, enquadrando-os como um processo contínuo de extermínio que mudou de forma mas persiste.

Sobrevivente da campanha Anfal, Emin relatou a sua fuga pelas montanhas, a perseguição pelas forças iraquianas e o calvário em campos de refugiados para dar rosto humano às cifras. Destacou fatores históricos e geopolíticos que alimentam a vulnerabilidade curda, incluindo a falta de um Estado soberano, divisões territoriais, repressão cultural e exclusão económica. Sob o regime de Saddam Hussein, armas químicas proibidas e políticas de terra queimada visaram as zonas disputadas do norte do Iraque, com pressões culturais e estruturais em curso hoje.

A AMVGK procura o reconhecimento oficial destes eventos como pacote unificado e salvaguardas internacionais para os direitos curdos. Emin traçou paralelos simbólicos entre a paisagem montanhosa da Andorra e o Curdistão, instando o Principado a servir de centro para a sensibilização humanitária sobre um conflito muitas vezes marginalizado no discurso europeu.

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