Professor de Direito leciona sobre o Acordo de Associação da Andorra à UE antes do referendo
Patrick Klaousen revê 40 anos de relações Andorra-UE, atrasos no pacto e a sua natureza assimétrica num salão municipal lotado, apelando.
Pontos-chave
- Klaousen traça laços Andorra-UE desde acordo aduaneiro de 1990 até fecho em 2023, atrasado por Brexit, COVID e guerra na Ucrânia.
- Pacto consolida acordos, permite diversificação financeira, exige alinhamento gradual com acquis da UE.
- Acordo misto precisa ratificação por 42 parlamentos + PE; aplicação provisória provável apesar de processo demorado.
- Referendo consultivo pendente; Klaousen pede campanhas baseadas em factos; oposição chama-lhe 'teatro'.
Patrick Klaousen, professor de Direito na Universidade de Rennes 1 e autor de uma tese de doutoramento de 1989 sobre as relações comerciais da Andorra com as Comunidades Europeias, proferiu uma palestra sobre o acordo de associação da Andorra à UE na quarta-feira à noite no auditório da câmara municipal de Escaldes-Engordany. O evento, intitulado «Andorra e a União Europeia: Especificidades, Dificuldades e Desafios», encheu o auditório e ofereceu uma revisão histórica de quatro décadas de relações Andorra-UE antes de um referendo planeado sobre o pacto.
Klaousen traçou a cronologia desde o acordo aduaneiro de 1990, sob o então chefe do Governo Josep Pintat Solans — que clarificou o estatuto da Andorra face ao mercado único europeu — até ao início da negociação do acordo de associação em 2015. Notou atrasos devidos a eventos como o Brexit, a pandemia e a guerra na Ucrânia, culminando no fecho sob a presidência espanhola da UE em dezembro de 2023. O acordo englobará os atuais acordos sectoriais, como os protocolos veterinário e monetário, sem os substituir, e permitirá a diversificação económica para além do comércio a retalho, especialmente nos serviços financeiros.
O professor descreveu a relação da Andorra com a UE como assimétrica, baseada em pactos díspares que o acordo consolida num único quadro. Exige a alinhamento gradual da legislação andorrana com o *acquis communautaire* da UE. Previu que o pacto seria misto, exigindo ratificação por 42 câmaras parlamentares nacionais mais o Parlamento Europeu, podendo demorar anos devido à logística — embora a maioria das disposições possa aplicar-se provisoriamente desde o primeiro dia. Um bloqueio em qualquer legislatura é altamente improvável, disse, e sem o acordo, a Andorra enfrentaria provavelmente consequências negativas.
Klaousen confirmou que o referendo iminente seria consultivo, não vinculativo, e reiterou que não se deve tornar num plebiscito sobre o Governo. Enfatizou a necessidade de informar os cidadãos sobre os detalhes para decisões baseadas em factos, face aos desafios económicos, defendendo campanhas honestas e debate aberto.
Mais cedo nesse dia, o político da oposição Josep Pintat ecoou dúvidas numa entrevista à Ràdio Nacional, chamando ao voto «consultivo, não vinculativo» sem alterações à lei eleitoral. Acusou o Governo de encenar «teatro», notando que a sua autoridade em assuntos externos significa que um acordo assinado comprometeria internacionalmente a Andorra, salvo desafios posteriores. Pintat sublinhou a necessidade de fortes laços com a UE, mas questionou os atrasos, incluindo o estatuto de acordo misto não resolvido apesar do fim das negociações em 2023. Afirmou que a Andorra está já «dentro da UE e do acordo», independentemente do voto.
As autoridades ainda não fixaram a data do referendo.
Fontes originais
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