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Politica·

Social-democratas andorranos exigem cronograma para despenalização do aborto

GPS reúne-se com o Governo para acelerar progresso nos direitos reprodutivos face à oposição do Papa, ameaçando agir se houver atrasos.

Sintetizado a partir de:
Diari d'AndorraAltaveuARAEl Periòdic

Pontos-chave

  • GPS exige cronograma a Espot e Baró Solà para despenalização do aborto.
  • Papa Leão XIV reafirma oposição do Vaticano, impulsionando apelos urgentes à reforma.
  • Governo compromete-se com alterações ao Código Penal para proteger mulheres no estrangeiro, sem abortos locais.
  • GPS ameaça legislação própria se promessas não forem cumpridas; divide grupos de mulheres.

Membros do Grup Parlamentari Socialdemòcrata (GPS), incluindo os conselheiros gerais Susanna Vela, Pere Baró e Laia Moliné, reuniram-se com o chefe do Governo, Xavier Espot, e o ministro das Relações Institucionais, Educação e Universidades, Ladislau Baró Solà, para exigir maior rapidez na despenalização do aborto em Andorra.

A reunião seguiu declarações recentes do Papa Leão XIV, que reafirmou a oposição do Vaticano ao aborto, à eutanásia e à gestação de substituição, num discurso dirigido a diplomatas acreditados junto da Santa Sé, incluindo o embaixador de Andorra, Carles Álvarez. O GPS considera estas declarações como um sinal da urgência de uma reforma legislativa nos direitos reprodutivos, abordada de uma perspetiva democrática e com respeito pelos direitos fundamentais.

Durante as discussões, o Governo reiterou o compromisso de avançar com a despenalização. Em resposta, os sociais-democratas exigiram um cronograma claro e prazos razoáveis, advertindo que não tolerarão mais atrasos ou ambiguidades. Criticaram as negociações passadas como insuficientemente decisivas e ineficazes, apelando a uma mudança de abordagem política para responder ao que descrevem como uma demanda social amplamente partilhada.

O GPS deixou claro que, se o Governo não cumprir os compromissos, o grupo parlamentar tomará ele próprio as medidas legislativas necessárias. O partido reafirmou a sua firme defesa dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, considerando-os essenciais numa sociedade democrática e progressista.

O debate intensificou as divisões. A associação de mulheres cristãs Stella Mons expressou total alinhamento com a mensagem do Papa, priorizando a proteção da vida e o apoio à família em detrimento de políticas que permitam a interrupção da gravidez. Grupos de mulheres, incluindo a Associació de Dones d’Andorra (ADA) e a Acció Feminista, manifestaram deceção, com Maria Geli, da ADA, a notar um horizonte mais sombrio sob Leão XIV, mas insistindo na continuação da luta pela despenalização em pelo menos três casos. Contrastaram a posição do Vaticano com a proteção constitucional do aborto como direito em França.

O chefe do Governo, Espot, falando após uma sessão do Conselho Geral, reiterou que os abortos «nunca serão realizados no nosso país». Apoia a despenalização de mulheres que interrompem gravidezes no estrangeiro para as proteger e apoiar, sem arriscar uma crise institucional na coprincipado. O Governo pretende alterar o Código Penal para evitar a perseguição de mulheres, mantendo algumas penalizações para procedimentos em Andorra, e está aberto a discutir o financiamento pela CASS, embora as mudanças não possam ocorrer de uma só vez.

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