Tribunal admite provas da Operação Catalunha e testemunhas policiais no julgamento Pujol
Juízes permitirão documentos e depoimentos de investigações andorranas ligadas à 'Operação Catalunha' no processo Pujol.
Pontos-chave
- Tribunal admitirá documentos e provas de investigações andorranas ligadas à Operação Catalunha no julgamento Pujol.
- Audiencia Nacional rejeitou transferência do caso para Barcelona, mantendo jurisdição sobre o material admitido.
- Cinco figuras alegadamente da 'polícia patriótica', incluindo José Manuel Villarejo e Eugenio Pino, deverão depor.
- Defesa poderá usar o material para argumentar que o BPA foi alvo de esquema político/policial contra líderes catalães.
O tribunal que supervisiona o caso Pujol anunciou, na retoma do julgamento, que permitirá a discussão da chamada "Operação Catalunha" nas sessões futuras. O processo, que envolve vários membros da família do antigo presidente catalão, incluindo o próprio ex-presidente, incluirá material da vertente andorrana das investigações, após os juízes do Tribunal Nacional de Espanha (Audiencia Nacional) terem rejeitado a transferência do caso para o tribunal de Barcelona.
Os magistrados aceitaram que as equipas de defesa — nomeadamente os advogados da família Pujol, que também estão envolvidos num caso separado contra o antigo primeiro-ministro Mariano Rajoy e outros, investigados pelo tribunal de instrução de Andorra (Batllia) por um alegado ataque à soberania andorrana — possam referir e apresentar documentos dos processos andorranos. Os juízes indicaram que esses documentos podem ser apresentados durante o julgamento se a defesa os considerar relevantes.
O tribunal admitiu também o depoimento de testemunhas de cinco figuras ligadas à alegada rede de "polícia patriótica", implicadas em diferentes graus na investigação andorrana sobre os acontecimentos que precederam a intervenção e o posterior colapso do Banca Privada d'Andorra (BPA). Entre os funcionários, na sua maioria reformados e esperados para comparecer, contam-se José Manuel Villarejo — que recentemente prestou depoimento em Andorra —, Eugenio Pino, identificado como antigo diretor de operações da polícia nacional, e Marcelino Martín Blas, comissário reformado e antigo chefe do departamento de assuntos internos.
Também se espera que sejam chamados Bonifacio Díez Sevillano, conhecido como "Boni", antigo inspector e adido do Interior na embaixada espanhola em Andorra, e Celestino Barroso, que o sucedeu e, como diplomata em funções, tem até agora tentado evitar comparecer. O tribunal referiu que existe uma gravação áudio de Barroso que transmite uma ameaça a um antigo CEO do BPA, Joan Pau Miquel, que também poderá ser convocado como testemunha.
A inclusão destas figuras policiais e a possibilidade de anexar material documental ligado às ações da Operação Catalunha em Andorra poderão reforçar a argumentação da defesa de que o BPA foi alvo de um esquema político e policial mais amplo. As equipas de defesa alegam que o banco foi vítima de manobras destinadas a minar o ascenso da independência catalã e a aceder a contas de líderes políticos catalães; a decisão do tribunal permitirá que esses argumentos e provas relacionadas sejam apresentados durante o julgamento.
Fontes originais
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