Tribunal Superior concede ao Ministério Público até 30 de junho para responder a 18 recursos do caso BPA
O prazo alargado, superior ao dobro do concedido às defesas, visa responder a volumosos recursos contra as condenações de primeira instância por branqueamento de capitais e falhas processuais.
Pontos-chave
- 18 recursos contra penas pesadas do julgamento BPA; Ministério Público tem ~7 meses para responder.
- Argumentos comuns: irregularidades constitucionais, fundos ilícitos não provados, uso acrítico de relatórios espanhóis/chineses.
- Arguidos notam que casos Gao Ping em Espanha foram maioritariamente arquivados.
- Data da audiência por marcar; juiz principal Picod reforma-se a 30 de junho, provavelmente substituído.
A secção criminal do Tribunal Superior concedeu ao Ministério Público até 30 de junho para responder aos 18 recursos interpostos contra a sentença do Tribunal das Corts no julgamento do principal caso BPA.
A decisão de primeira instância, que impôs penas pesadas à maioria dos arguidos, foi contestada pelos acusados, mas não pelo Ministério Público nem pela acusação particular do Governo. As defesas tiveram cerca de três meses para apresentar os recursos, enquanto o Ministério Público tem agora quase sete meses — mais do dobro desse prazo — para responder, justificando a necessidade de analisar 18 recursos separados, muitas vezes voluminosos.
Os recursos partilham argumentos comuns, incluindo alegações de irregularidades constitucionais no processo e falha na prova da origem ilícita dos fundos alegados nas acusações de troca no centro do caso. Os arguidos destacam que os casos relacionados com Gao Ping em Espanha foram maioritariamente arquivados ou ilibados sem condenações. Criticam também o Ministério Público por se basear acriticamente em relatórios policiais principalmente espanhóis, alguns não traduzidos do chinês, sem esforço probatório independente.
Cada recurso visa ainda especificidades contra arguidos individuais.
A secção criminal, atualmente composta pelos juízes Yves Picod, Fàtima Ramírez e Alexandra Cornella, não tem data marcada para a audiência oral. A sua composição deverá mudar, uma vez que Picod informou o Conselho Superior da Justiça da sua reforma a 30 de junho. Fontes judiciais sugerem que ele pretende evitar envolvimento no caso BPA. Seguindo o precedente da saída do antigo procurador Alfons Alberca, Iván Alís poderá assumir a acusação pelo Ministério Público.
Fontes originais
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