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Saude·

Ativista andorrano do cancro apela a unidade de radioterapia e registo de dados

Presidente da Assandca, Josep Saravia, exige radioterapia local, registo de cancro da população e investigação alargada face ao aumento de casos e tratamentos.

Sintetizado a partir de:
Bon DiaDiari d'Andorra

Pontos-chave

  • Aumento de casos de cancro (~500/ano); doentes viajam a Barcelona para radioterapia, causando exaustão e abandonos.
  • Sem registo oficial baseado na população; dados governamentais limitados a casos hospitalares, dificultando prevenção.
  • Unidade de radioterapia aprovada mas suspensa por custos; serviria região dos Pirenéus.
  • Eventos para o Dia Mundial do Cancro incluem oficina de nutrição e torneio de futebol juvenil.

Josep Saravia, presidente da Assandca, a associação de apoio a doentes de cancro andorranos, renovou os apelos a uma unidade de radioterapia dedicada, investigação alargada e um registo oficial de cancro baseado na população, a propósito do Dia Mundial do Cancro a 4 de fevereiro.

Em entrevistas recentes ao *Diari d'Andorra* e ao *Bon Dia*, Saravia destacou o aumento de casos de cancro no Principado, estimando cerca de 500 novos diagnósticos anuais. Enfatizou a necessidade de cobertura completa de tratamento local, notando que, embora todos os doentes recebam cuidados, muitos viajam para Espanha para quimioterapia e radioterapia. As viagens a Barcelona para sessões de radioterapia provocam frequentemente exaustão, com alguns doentes a interromper o tratamento após várias visitas. «Quando se vê alguém a arriscar a vida mas a parar por estar cansado, algo está a falhar», disse Saravia.

Uma grande preocupação é a falta de dados fiáveis. A Assandca, enquanto organização privada sem fins lucrativos, procura estatísticas populacionais abrangentes há uma década, mas não tem acesso a dados oficiais do governo ou da CASS. O hospital mantém um registo interno de tumores, mas Saravia descreveu os esforços atuais como baseados «na intuição», limitando as campanhas de prevenção. Criticou os dados governamentais como selectivos e baseados no hospital, em vez de abrangentes da população, incluindo números de mortalidade que considera enviesados por residentes que regressam a casa antes de morrer.

Saravia expressou particular preocupação com o cancro infantil, citando estatísticas da OMS de 20 casos por 100 000 pessoas anualmente. Os casos são tratados no estrangeiro e permanecem invisíveis localmente, sem dados oficiais disponíveis. Apelou à atenção de serviços como o SAAS e a CASS.

O projecto de radioterapia, aprovado sob o antigo ministro da Saúde Toni Martí mas suspenso após as eleições, enfrenta resistência contínua do ministro Marc Benazet devido a custos, número de doentes e falta de técnicos. Saravia argumentou que serviria toda a região dos Pirenéus e estaria alinhado com interesses de investigação emergentes em Sant Julià de Lòria. Apesar de um excedente de 60 milhões de euros, a unidade não é prioridade.

Desenvolvimentos positivos incluem a consideração do Ministério da Saúde para rastreio de cancro da próstata através de análises ao sangue, como feito noutros locais, e um plano nacional de oncologia teórico focado em melhores cuidados aos doentes — embora o progresso seja lento.

A Assandca evoluiu de fornecer informação para oferecer alojamento supervisionado, transporte médico e actividades recreativas. As relações com o governo são pessoalmente positivas, mas por vezes tensas institucionalmente. Saravia elogiou a Lei do Esquecimento Oncológico, que ajuda principalmente crianças ao impedir que diagnósticos passados afectem empréstimos ou seguros, embora as recorrências sejam excluídas.

Para o Dia Mundial do Cancro, a Assandca adopta o lema «never fear» do BC MoraBanc, incentivando as pessoas a enfrentar a doença com confiança face a tratamentos em melhoria. Os eventos incluem uma oficina gratuita de nutrição, «La paella pel mànec», orientada pela dietista Marta Pons no restaurante do Lycée Comte de Foix, e um torneio de futebol escolar a 15 de fevereiro para consciencialização sobre o cancro infantil, em colaboração com a Escola Andorrana e a Federação Andorrana de Futebol.

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