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Andorra regista aumento de 50% nas intervenções por abusos a crianças para 36 em 2025

Ativações do Departamento da Infância por abusos sexuais e maus-tratos atingem 36 casos, impulsionadas pela maior consciencialização, enquanto maus-tratos em cantinas escolares.

Sintetizado a partir de:
Bon DiaAltaveu

Pontos-chave

  • 36 ativações PAI em 2025 (aumentou de 24 em 2024), 28 casos de abuso sexual maioritariamente intrafamiliar.
  • Vítimas principalmente de 17 anos (idades 11-18); aumento devido a consciencialização e formação.
  • Queixas em cantinas escolares: agarrões no braço, puxões nas orelhas, estaladas; monitor reintegrado após arquivamento.
  • Juristas criticam arquivamento, defendem investigações priorizando proteção infantil pela lei Lopivi.

O Departamento da Infância e Adolescência de Andorra registou 36 ativações do protocolo de ação imediata (PAI) em 2025, principalmente por casos de abuso sexual, superando os 24 de 2024 e os 14 de 2023.

O departamento do Ministério dos Assuntos Sociais interveio nestes casos na sequência de pedidos da Batllia para avaliações por psicólogos forenses após a polícia ter respondido a denúncias de suspeitas de abuso sexual ou maus-tratos físicos agudos. A polícia regista o total completo de ativações do PAI. Dos 36, 28 envolveram abuso sexual — contra 19 no ano anterior — enquanto oito diziam respeito a maus-tratos físicos, comparados com cinco anteriormente. Dezassete casos ocorreram em contextos familiares, com 19 fora deles. A diretora Laura Mas observou que os abusos sexuais ocorrem frequentemente no âmbito intrafamiliar, exigindo muitas vezes um «ambiente de confiança» prévio. A maioria das vítimas tinha 17 anos, embora as intervenções abrangerem idades entre os 11 e os 18 anos. Mas destacou as dificuldades em detetar abusos em crianças mais novas, que podem ter problemas em descrever os incidentes ou denunciá-los de forma autónoma. Uma denúncia aos 16 anos, por exemplo, pode remontar a abusos de anos antes, como aos sete anos, quando a vítima se sentiu incapaz de falar.

Os responsáveis atribuem o aumento a uma maior consciencialização pública através da promoção do protocolo e da formação, resultando em mais denúncias. «Vemos isto de forma positiva porque o que importa é que as pessoas denunciem estes incidentes», disse Mas à Altaveu. Os números surgiram durante a apresentação de Andorra às Nações Unidas do seu primeiro relatório sobre o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, embora sem contexto completo na altura.

Em separado, famílias denunciaram maus-tratos a crianças em cantinas escolares geridas pela IAUSA, uma empresa pública sob o Conselho do Condado de Alt Urgell. As queixas incluem uma criança de cinco anos supostamente agarrada pelo braço, deslocada pelo refeitório e forçada a comer sozinha; uma criança puxada pelas orelhas por recusar comer e enviada para outra mesa; e uma criança de oito anos esbofeteada por um monitor. No incidente da estalada, a família apresentou queixa-crime contra o monitor, o chefe técnico da IAUSA, o inspetor de educação e o diretor da escola. Fontes indicam que o monitor foi inicialmente afastado como medida de precaução, mas reintegrado depois de o caso ser arquivado na fase preliminar sem investigação formal ou recolha de provas.

Juristas consultados pelo Bon Dia descreveram o arquivamento como incoerente, argumentando que medidas de precaução implicam indícios iniciais de plausibilidade e risco, justificando uma investigação adicional na ausência de novos factos objetivos. Enfatizaram que a proteção da criança prioriza o superior interesse da criança sobre o «in dubio pro reo», nos termos da Lei Orgânica de Proteção da Infância de 2021 (Lopivi). O Bon Dia questiona se a IAUSA tem um protocolo formal de prevenção de violência adaptado às cantinas, designa um coordenador de proteção da criança, fornece formação anual ao pessoal, notifica prontamente a polícia ou o Ministério Público de potenciais infrações ou assegura entrevistas forenses às crianças sem contaminação do testemunho. Responsáveis do Conselho do Condado não tinham respondido a estas questões até ao momento da reportagem.

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