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Andorra enfrenta dificuldades em recrutar médicos especialistas devido a baixos salários e crise habitacional

Salários ficam aquém dos vizinhos como França e Suíça, enquanto graves faltas de habitação impedem mudanças, alerta presidente do colégio médico.

Sintetizado a partir de:
ARA

Pontos-chave

  • Especialistas ganham 5000 €/mês por 40 horas semanais vs. +10 000 € na França, dobro na Suíça/Irlanda.
  • Crise habitacional: médico espanhol rejeitado em arrendamentos que excediam 33% do rendimento apesar de emprego estável.
  • Público vê médicos como bem pagos, complicando negociações salariais.
  • Ameaça cobertura médica em especialidades chave devido a falhas no recrutamento.

Andorra enfrenta desafios contínuos no recrutamento de médicos especialistas, impulsionados não só por salários que ficam aquém dos países vizinhos, mas também por graves faltas de habitação que desencorajam potenciais contratações.

Albert Dorca, presidente do Col·legi Oficial de Metges d'Andorra, delineou estes problemas durante o programa *Avui serà un bon dia* da Ràdio Nacional na quarta-feira. Explicou que um especialista com qualificações reconhecidas, a trabalhar 40 horas por semana no hospital, recebe um salário base de cerca de 5000 euros mensais. Em comparação, posições equivalentes na Suíça ou Irlanda oferecem mais do dobro, enquanto na França se aproximam dos 10 000 euros — muitas vezes com forte potencial de progressão que aumenta ainda mais os rendimentos.

Dorca descreveu as discussões salariais como delicadas, dada a perceção pública de que os médicos já são bem pagos, o que pode gerar acusações de ganância. Afirmou que 5000 euros continuam a ser um bom salário, mas enfatizou o mercado global competitivo: quando os rivais pagam mais, Andorra sai a perder. Embora o Principado ofereça atrativos como o ambiente, a segurança e a educação, estes raramente servem como principal chamariz para profissionais médicos.

A agravar o problema, Dorca partilhou uma anedota sobre um médico a mudar-se de Espanha. Apesar de ter obtido aprovação para exercer em Andorra e ganhar o salário típico de 5000 euros, o profissional não encontrou alojamento para arrendar. As opções mais baratas excediam 33% do seu rendimento — mais de 1700 euros mensais — e tanto agências como senhorios consideraram-no um risco de pagamento, apesar da fiabilidade tradicional da profissão. «Não lhe arrendaram, mesmo com a seriedade e as garantias que supostamente proporciona ser médico e ter esse salário», disse Dorca. O médico acabou por desistir da mudança por falta de habitação.

Estas barreiras ameaçam a cobertura médica adequada para a população de Andorra, particularmente em especialidades chave.

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