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Saude·

Andorra enfrenta crise de escassez de médicos com reforma dos especialistas

Presidente do Colégio de Médicos de Andorra alerta para crise de substituição geracional em 5-10 anos, com aumento de referenciações estrangeiras devido a longas esperas.

Sintetizado a partir de:
Diari d'Andorra

Pontos-chave

  • Todas as especialidades médicas enfrentam crise de substituição em 5-10 anos com reformas de médicos acima de 60 anos.
  • Referenciações estrangeiras disparam devido a esperas superiores a um mês em muitas especialidades.
  • Salários pouco competitivos face a Espanha dificultam atração de talento; Colégio propõe formação, incentivos e aumentos de tabelas.
  • Cuidados primários abaixo da média europeia mas gerem com flexibilidade; envelhecimento populacional impulsiona custos de referenciação.

Albert Dorca, presidente do Colégio de Médicos de Andorra, alerta que todas as especialidades médicas enfrentam uma crise de substituição geracional nos próximos 5-10 anos, à medida que uma grande parte dos médicos se aproxima da idade de reforma, superior a 60 anos. Ele sublinha o impacto crescente nos doentes, com o aumento de referenciações para o estrangeiro devido a longas listas de espera em várias especialidades.

Em comentários recentes, Dorca referiu que o "caminho preferencial" de Andorra cobre consultas com especialistas estrangeiros quando as marcações locais não podem ser agendadas num mês – um limite que muitas especialidades agora excedem em casos não urgentes. As referenciações por falta de disponibilidade local dispararam no último ano, disse ele, refletindo desafios mais amplos na atração de talento. "O que não temos aqui não impede as pessoas de procurar cuidados; significa apenas que vão a países vizinhos, com as perturbações que isso acarreta", explicou Dorca, citando ausências adicionais no trabalho e custos para visitas curtas.

O Colégio está a refinar dados através de uma comissão conjunta com o serviço de saúde CASS, preparando um documento-quadro para mapear as capacidades atuais por especialidades e subespecialidades, como traumatologia. Os médicos podem agora especificar motivos de referenciação – quer para segunda opinião ou indisponibilidade atempada –, fornecendo dados mais claros sobre as pressões de procura. As redes pessoais entre médicos andorranos também ajudam a acelerar consultas estrangeiras urgentes, uma vantagem da escala reduzida do sistema.

Dorca ligou estas tensões a salários pouco competitivos, com base no feedback de cerca de 18 médicos andorranos no estrangeiro. Os salários públicos espanhóis foram ajustados há mais de 15 anos, enquanto as tabelas andorranas foram atualizadas apenas três vezes e carecem de indexação à inflação. Este ano, o Colégio instou o Ministério da Saúde a adotar um plano em três pilares: formação coordenada pelo ministério para eficiência; incentivos de desempenho como recompensas pela gestão de diabetes ou rastreios, inspirados na França; e aumentos de tabelas para recuperar vantagem face aos vizinhos do sul.

O ministério está a rever tabelas para escassez em áreas de diagnóstico (letra K) e cirúrgicas (letra Q), mas Dorca considerou a proposta mais ampla mais ambiciosa e atrasada. "Mesmo se aprovada amanhã, duvidamos que chegasse para a atual tensão", disse ele.

As rácios de cuidados primários ficam aquém da média europeia, embora a flexibilidade do sistema – como horários alargados em picos de gripe – mantenha esperas mais curtas do que na Catalunha. Nem todas as práticas estão igualmente carregadas; algumas gerem quotas mais elevadas ou doentes fiéis, dificultando a redistribuição. O serviço de urgência médica na Clínica Meritxell, agora no segundo ano de cobertura natalícia completa, regista 90% de visitas diretas, contra maioritariamente referenciações de emergência quando baseado na Plaça Coprínceps. As referenciações inversas dos urgências para cuidados primários continuam raras, pois os doentes preferem esperar no local.

Quantificar necessidades é complexo na pequena população de Andorra, com funções sobrepostas – endocrinologistas, internistas e cuidados primários partilham casos de diabetes; reumatologistas e medicina interna tratam condições autoimunes. A medicina familiar, com cerca de 40 médicos, absorve flutuações melhor que as especialidades.

A Ministra da Saúde Helena Mas disse recentemente ao parlamento que a comissão Cosvai da CASS está a analisar referenciações estrangeiras face a custos crescentes, que ela atribui ao envelhecimento populacional, doenças crónicas, expansão de serviços e aumentos de tabelas – e não a sobreautilização.

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