Especialistas de Andorra alertam para proteção de crianças contra riscos de imagens online
Mesa redonda em Sant Julià de Lòria destaca perigos de partilha de fotos por pais, manipulação por IA e aumento de casos de disseminação de imagens de menores.
Pontos-chave
- Casos reportados de disseminação de imagens de menores aumentaram de 10 para 52, com muitos por reportar devido a vergonha.
- Pais expõem crianças sem querer através de fotos em redes sociais públicas, permitindo manipulação por IA.
- Tempo excessivo de ecrã ligado a problemas de sono, défices de atenção, irritabilidade e exposição a conteúdos inadequados.
- Apelos a limites de ecrã, supervisão, diálogo aberto; série 'Parlem-ne' continua até junho.
Especialistas da polícia de Andorra, agência de proteção de dados, UNICEF e serviços de saúde mental reuniram-se na terça-feira à noite em Sant Julià de Lòria para uma mesa redonda sobre a proteção de crianças contra riscos online. O evento, intitulado "Ecrãs e redes sociais: como protegemos a nossa imagem e a das nossas crianças?", deu início à série 'Parlem-ne', organizada pelo Departamento de Juventude e Infância da paróquia, na lotada Sala Sergi Mas.
Os oradores destacaram como os pais expõem frequentemente as suas crianças sem querer, ao partilharem fotos em perfis públicos de redes sociais. Estas imagens podem cair em mãos erradas e ser manipuladas com inteligência artificial, causando danos graves. Ferran Jordan, da Unidade de Crimes Tecnológicos da Polícia, apontou um aumento acentuado nos casos reportados de disseminação de imagens de menores, de 10 para 52 segundo dados do Observatório da Infância do final do ano passado. Ele sublinhou que as figuras oficiais subestimam provavelmente o problema devido a incidentes não reportados de "número escuro", em que adolescentes envergonhados — que partilharam ou tiveram selfies roubadas e circuladas — não contam aos pais ou à polícia. "Se estes menores nem aos pais conseguem confiar, a polícia está a anos-luz", disse Jordan.
Os painelistas, incluindo Jèssica Obiols da Agência Andorrana de Proteção de Dados, a diretora da UNICEF Andorra Dàmaris Castellanos e a psiquiatra infantil do SAAS Maria Giró, delinearam ameaças mais amplas: roubo de dados, usurpação de identidade, cyberbullying, exposição a pornografia, abusos e violência, além de impactos neurológicos como perturbações do sono, défices de atenção, atrasos na linguagem e desregulação emocional. Giró citou evidências científicas que ligam o tempo excessivo de ecrã a sono pior, maior irritabilidade, retrocessos académicos e exposição a conteúdos inadequados, questionando por que os pais fornecem dispositivos tão cedo — muitas vezes devido a pressão dos pares.
Uma mãe presente descreveu como atrasou o telemóvel da filha de 11 anos até à idade certa, comparando o acesso precoce a deixar uma criança sozinha numa cidade, e referiu grupos de pais no Telegram a partilharem estratégias educativas. Castellanos mencionou o estudo de impacto da tecnologia da UNICEF de 2022 — que será atualizado em breve para comparação — e apelou à consciencialização coletiva, pois as crianças atualmente não têm proteção adequada.
A sessão terminou com apelos a formação parental, limites de ecrã, supervisão ativa, diálogo aberto e educação digital. A conselheira social da paróquia, Eva Ramos, anunciou que o ciclo 'Parlem-ne' continuará até junho, abrangendo temas como orientação académica, bem-estar emocional, saúde mental para adolescentes vulneráveis e novas sessões de literacia financeira sobre poupança e gestão de recursos, com base em inquéritos a alunos e famílias.
Fontes originais
Este artigo foi agregado a partir das seguintes fontes em catalao:
- Diari d'Andorra•
La policia alerta dels riscos de les pantalles per als infants en una taula rodona
- Altaveu•
La por i la vergonya aturen moltes de les denúncies per difusió d'imatges de menors
- Diari d'Andorra•
La policia alerta dels riscos de les pantalles per als infants en una taula rodona a Sant Julià
- Altaveu•
La por i la vergonya aturen moltes de les denúncies per difusió d'imatges de menors