Voltar ao inicio
Saude·

Líder do cancro em Andorra apela a melhorias na habitação e dados no Dia Mundial do Cancro

Presidente da Assandca, Josep Saravia, pede mais apartamentos supervisionados em Barcelona, registo nacional de cancro e atraso na radioterapia em meio incompleto.

Sintetizado a partir de:
Diari d'AndorraBon DiaAltaveuEl Periòdic

Pontos-chave

  • Escassez de apartamentos supervisionados em Barcelona para doentes andorranos e acompanhantes devido à saturação.
  • Ausência de registo nacional de cancro; dados falham 25-30% dos tratados no estrangeiro, dificultando prevenção.
  • Unidade de radioterapia parada; 500 casos anuais, 60% necessitam tratamento.
  • Oncologia de precisão muda para cuidados personalizados; desnutrição afeta 15-80% dos doentes.

Josep Saravia, presidente da Assandca, a Associação Andorrana Contra o Cancro, renovou apelos a melhorias estruturais nos cuidados oncológicos no Dia Mundial do Cancro, a 4 de fevereiro, destacando a escassez de habitação supervisionada em Barcelona e a ausência de estatísticas oficiais.

Os doentes andorranos que necessitam de tratamento em Barcelona recorrem frequentemente a apartamentos supervisionados, principalmente para quem viaja com acompanhante. Saravia notou que a disponibilidade se tornou um problema grave devido à crescente saturação da cidade. «Há alturas em que não conseguimos encontrar apartamentos», disse, acrescentando que, quando os doentes são internados, os acompanhantes perdem o acesso. Nestes casos, os serviços sociais ocasionalmente arranjam rendas privadas como solução provisória. Há anos, a Assandca propôs que o governo investisse em propriedades dedicadas, mas a ideia foi rejeitada.

Saravia enfatizou a falta de um registo nacional de cancro, descrevendo os dados atuais como incompletos, pois só cobrem casos hospitalares. Estimou que 25-30% dos doentes recebem tratamento no estrangeiro, deixando os planificadores «a trabalhar às escuras» para campanhas de prevenção. O SAAS registou 509 doentes com cancro em 2025, com os cancros de próstata (99 casos), mama (88) e colorretal (89) mais comuns — números proporcionais aos de Espanha, mas sem acompanhamento abrangente.

O projeto da unidade de radioterapia continua parado, apesar de compromissos anteriores. Saravia sugeriu cerca de 500 casos anuais, com 60% a necessitarem de radioterapia — potencialmente 250 tratamentos por ano. Como alternativa, apelou a mais apartamentos supervisionados caso a unidade não avance.

A Ministra da Saúde, Helena Mas, assistiu ao evento 'Paella pel Mànec' da Assandca com o Lycée Comte de Foix, um atelier de nutrição para doentes dirigido pelo chef Hugues Lemarignier e pela dietista do SAAS, Marta Pons. Mas elogiou os esforços de prevenção como rastreios e a unidade de cancro da mama, anunciando o Plano Nacional de Oncologia para lançamento em um a um ano e meio meses. O plano, desenvolvido de forma participativa com profissionais e conselheiros, visa resolver questões pendentes e clarificar os serviços oncológicos.

A Assandca aguarda também a publicação da lei recentemente aprovada sobre o esquecimento nos cuidados de saúde para avaliar as suas proteções contra a discriminação no emprego e seguros. Para 2026, a associação planeia reforçar o apoio aos doentes, incluindo espaços de encontro, podologia com desconto, ioga e atividades de ginásio.

Entretanto, a Fundação Creand acolheu uma conferência sobre oncologia de precisão, com a chefe de oncologia do Hospital Nostra Senyora de Meritxell, Santiago Albiol, a adjunta de medicina interna Cristina Royo e a nutricionista oncológica Noemí Ruiz. Albiol explicou a transição de tratamentos gerais como a quimioterapia para abordagens personalizadas baseadas na genética do tumor e características do doente, melhorando a eficácia e reduzindo efeitos secundários. Os desafios incluem a especificidade dos fármacos, respostas variáveis e custos elevados.

Royo detalhou a clínica de sobreviventes a longo prazo, lançada em 2023 e com 600-800 visitas anuais, priorizando casos de alto risco de recidiva. Monitoriza recaídas, toxicidades dos tratamentos, problemas cognitivos, emocionais e hormonais.

Ruiz alertou que 15-40% dos doentes recém-diagnosticados estão desnutridos, subindo para 80% durante o tratamento, com perda muscular a dificultar a tolerância aos fármacos e a recuperação. A nutrição personalizada, disse, faz parte da terapia, ajudando a resiliência, recuperação da microbiota e qualidade de vida — enquanto alertava contra dietas milagrosas não comprovadas. As taxas de sobrevivência duplicaram nos últimos 40 anos graças à deteção precoce e avanços.

Partilhar o artigo via