Andorra pede legislação para travar excesso de ecrãs nas crianças
Presidente da associação defende prevenção legal enquanto inquérito revela que um em cada cinco miúdos enfrenta problemas de saúde como perturbações do sono, levando grupo de pais a procurar colaboração com autoridades e escolas para passar a dispositivos controlados.
Pontos-chave
- Associação para a Defesa da Juventude em Risco exige legislação para prevenção de ecrãs, citando riscos para a saúde mental.
- Inquérito do Ministério da Educação: 20% das crianças com problemas de saúde relacionados com ecrãs, sobretudo perturbações do sono; 54% dos pais admitem uso excessivo.
- Associação de pais pede colaboração; escolas eliminam iPads pessoais e impõem depósito de telemóveis.
- Especialistas debatem viabilidade de proibições, comparando com esforços globais como a restrição australiana para menores de 16 anos.
A Associação para a Defesa da Juventude em Risco pediu legislação para travar o excesso de ecrãs entre crianças na Andorra, reconhecendo os desafios de impor proibições nas redes sociais a adolescentes já ativos online.
Falando num debate sobre ecrãs e redes sociais em Sant Julià de Lòria esta semana, a presidente da associação, Sandra Cano, sublinhou a necessidade de prevenção através de enquadramentos legais. «Temos de trabalhar muito na prevenção, e isso significa legislar», disse, destacando problemas quotidianos como entregar ecrãs a crianças pequenas para as distrair. Cano comparou a normalização desses hábitos a permitir que uma criança segure uma cerveja, apelando a esforços para educar as famílias e prevenir problemas de saúde mental ligados ao uso excessivo. O seu grupo lida frequentemente com casos relacionados, incluindo perturbações do sono.
Isto surge dias depois de o Ministério da Educação ter divulgado um inquérito a pais de escolas andorranas, revelando que uma em cada cinco crianças sofreu problemas de saúde devido a ecrãs, principalmente perturbações do sono. Mais de metade dos pais — 54% — admitiu que os filhos usam dispositivos em excesso.
A Associação de Pais de Escolas Andorranas (AMPAEA) reagiu pedindo uma reunião com a Andorra Recerca+Innovació (AR+I), que realizou o inquérito, para analisar os resultados e explorar colaboração. A presidente da AMPAEA, Susagna Venable, expressou frustração por o ministério não ter partilhado os achados diretamente com as famílias, que representam mais de 4000 alunos. «As famílias são importantes», disse, admitindo que os pais também precisam de educação, pois o uso dos dispositivos «nos escapou das mãos».
As escolas estão a agir: a Andorra está a eliminar iPads pessoais a favor de dispositivos controlados pelo centro, uma medida que Venable aplaudiu após alertas anteriores. No liceu de Encamp, os alunos agora depositam os telemóveis numa caixa à chegada, recuperando-os só no fim do dia. Os diretores das escolas relatam benefícios, incluindo mais interação no recreio e comunicação — chave para a educação.
Os desafios persistem. Cano notou que os smartphones são os presentes mais comuns nas primeiras comunhões, criando hábitos enraizados. Venable questionou proibições totais para menores de 16 anos como potencialmente ineficazes. Xavier Campuzano, diretor de inovação tecnológica do ministério, concordou que as restrições são tecnicamente difíceis de impor.
O debate ecoa esforços globais, como a proibição australiana para menores de 16 anos, que enfrenta evasão por parte de adolescentes versados em tecnologia. Há consenso sobre a necessidade de ação, mas os especialistas debatem o melhor caminho.
Fontes originais
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