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Saude·

Ex-responsável de saúde de Madrid admite falta de pessoal em lar de idosos para protocolos de Covid

Carlos Mur testemunhou que o Amavir Valdebernardo, local de 87 mortes em 2020, não tinha cobertura médica noturna e por isso não qualificava para medidas de seleção de pacientes que restringiam acesso hospitalar a idosos.

Sintetizado a partir de:
Bon DiaAltaveuEl PeriòdicDiari d'Andorra

Pontos-chave

  • Amavir Valdebernardo só tinha pessoal médico de manhãs/tardes, sem noites/fins de semana.
  • Registo de 87 mortes de março a junho de 2020; residente Ángel Armingol morreu sem referência hospitalar.
  • Mur assinou mas não redigiu protocolos, destinados apenas a centros totalmente medicalizados.
  • Grupos de vítimas protestam por responsabilização nos cuidados desiguais a idosos na Covid.

Carlos Mur, antigo responsável de saúde de Madrid e psiquiatra em exercício em Andorra, testemunhou por videoconferência na segunda-feira perante um juiz no Tribunal de Instrução n.º 23 de Madrid, reconhecendo que o lar de idosos Amavir Valdebernardo não dispunha de pessoal médico adequado para implementar protocolos destinados a limitar as transferências hospitalares de residentes idosos durante a primeira vaga da Covid-19.

A instalação com 180 lugares no sudeste de Madrid, onde o residente Ángel Armingol morreu a 2 de abril de 2020 sem referência ao hospital Gregorio Marañón, tinha serviços médicos limitados às manhãs e tardes, sem cobertura à noite ou aos fins de semana. Registou 87 mortes entre março e junho de 2020. A advogada da acusação, Alejandra Jacinto, disse que Mur confirmou que os protocolos de seleção de pacientes — que restringiam o acesso ao hospital para muitos idosos — se aplicavam apenas a centros totalmente medicalizados, uma condição não cumprida no Amavir Valdebernardo devido à insuficiência de profissionais de saúde.

Mur, que anteriormente liderou a saúde mental no serviço SAAS de Madrid e foi diretor-geral de coordenação socio-sanitária no governo de Isabel Díaz Ayuso, admitiu ter assinado os protocolos, mas negou tê-los redigido. Descreveu uma versão clínica longa elaborada por 20 geriatras sob Javier Martínez Peromingo, que anteriormente testemunhara contra eles por serem discriminatórios, e uma versão mais curta preparada por um geriatra e um intensivista. Em comentários posteriores à Altaveu, Mur esclareceu que "coordenou, revisto, assinou e enviou" os documentos ao vice-ministro da Saúde de Madrid, enfatizando que a medicalização incompleta resultava de uma escassez de pessoal sem culpar colegas. A audiência à porta fechada de 40 minutos incluiu perguntas do juiz, do procurador e do seu advogado; nem Mur nem o seu representante falaram com os jornalistas depois.

Esta foi a primeira aparição de Mur como parte investigada em inquéritos sobre mortes em lares de idosos de Madrid, após recusas anteriores por motivos processuais. O tribunal autorizou o testemunho remoto por Zoom desde Andorra. O caso, centrado na morte de Armingol, prossegue individualmente no meio de inquéritos mais amplos, com um recurso pendente para os consolidar. Não resultaram condenações.

Grupos de vítimas, incluindo Marea de Residencias e Verdad y Justicia, acolheram o testemunho como prova de acesso desigual aos cuidados de saúde, realizando uma protesto à porta dos tribunais de Madrid na segunda-feira para exigir responsabilização.

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