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Saude·

Ex-ministros andorranos lançam memórias sobre liderança na pandemia em evento carregado de ironia

Os ex-ministros da Saúde e das Finanças Joan Martínez Benazet e Eric Jover apresentaram *Divendres 13*, partilhando relatos pessoais da crise num auditório lotado.

Sintetizado a partir de:
Bon DiaAltaveuARADiari d'AndorraEl Periòdic

Pontos-chave

  • Andorra registou 47.890 casos, 165 mortes (0,3% letalidade, mais baixa da Europa Ocidental).
  • Ministros sofreram COVID prolongado; Benazet demitiu-se por problemas neurológicos.
  • Stock inicial de fármacos ineficazes como hidroxicloroquina; continuaram AstraZeneca apesar de riscos.
  • Desafios: atrasos em vacinas, proibições de entrada nos EUA após acolhimento de brigada cubana.

O ex-ministro da Saúde andorrano Joan Martínez Benazet e o ex-ministro das Finanças Eric Jover lançaram as suas memórias *Divendres 13: la pandèmia a Andorra* na noite de terça-feira no auditório do Comú d'Escaldes-Engordany. O evento atraiu mais de 300 participantes, excedendo a lotação sem máscaras, distanciamento ou restrições, o que gerou piadas sobre a ironia face às regras pandémicas que impuseram no passado.

Coordenada pela ex-funcionária de comunicações governamentais Judit Pedrós, a apresentação coincidiu com o aproximar do sexto aniversário do confinamento nacional decretado a 13 de março de 2020, e marcou 43 meses desde o levantamento da emergência de saúde a 18 de outubro de 2023. Andorra registou 47.890 casos e 165 mortes, com uma taxa de letalidade de 0,3% e 213,5 mortes por 100.000 habitantes — entre as mais baixas da Europa Ocidental.

O livro oferece um relato pessoal da liderança na crise, misturando reflexões emocionais com episódios chave em vez de um registo cronológico. Os autores creditaram a conformidade dos cidadãos sob o lema «Virtus Unita Fortior» pela prevenção da sobrecarga dos cuidados de saúde, homenageando o pessoal da linha da frente, polícia, trabalhadores de supermercados e outros. Benazet descreveu o ritmo frenético da tomada de decisões, incluindo briefings diários duas vezes ao dia durante o confinamento inicial, que induziu entorpecimento emocional em meio ao isolamento de idosos, anúncios diários de mortes e confinamento da juventude. Jover destacou a ansiedade constante sobre escolhas com dados limitados e os seus impactos duradouros.

Ambos sofreram de COVID prolongado: Jover com dores de cabeça, fadiga e nevoeiro cognitivo que prejudicavam cálculos simples; Benazet com fraqueza neurológica que levou à sua demissão. Conhecidos casuais antes da crise, forjaram um laço estreito através de sessões de estratégia ao amanhecer e humor de cadafalso, chamando a sua aliança um casamento «platónico» ou «pandémico». Concebido dois anos antes mas adiado por agendas, o projeto avançou sob a orientação de Pedrós. Jover reconstruiu as linhas do tempo a partir de conferências de imprensa e boletins; Benazet estruturou o conteúdo em torno de ondas de infeção e vacinas.

Como pequena nação, Andorra lutou por financiamento externo, suministros, vacinas e retoma do turismo. Destaques incluíram o colapso da iniciativa de vacinas equitativas da GAVI, pois as empresas privilegiaram acordos com os EUA, UE e Israel; o então ministro da Saúde espanhol Salvador Illa a garantir as primeiras 900 doses de Pfizer para Andorra a 19 de janeiro de 2021 para microestados não-UE; apoio a 2000 trabalhadores argentinos retidos apesar da negligência de Buenos Aires; cuidados de UCI no hospital Meritxell que salvaram uma mulher de Alt Urgell em paragem cardiorrespiratória em meio à escassez de camas em Lleida; e proibições de entrada nos EUA para Benazet e a então ministra dos Negócios Estrangeiros Maria Ubach após acolherem a brigada Henry Reeve de Cuba, com 19 médicos e 20 enfermeiros, sob Trump.

Admitiram erros iniciais como o stock de azitromicina e hidroxicloroquina por conselho de Oriol Mitjà e Didier Raoult, mais tarde considerados ineficazes e rapidamente abandonados. A continuação da AstraZeneca apesar dos riscos de trombose mereceu elogios do conselheiro da OMS Federico Martinón-Torres, que notou que as mortes e hospitalizações evitadas superaram amplamente os raros efeitos secundários durante a onda Delta. Jover defendeu «créditos suaves» para empresas apesar de problemas na execução, impulsionados pela urgência de evitar colapsos.

A unidade do governo de coligação multipartidária surpreendeu Benazet, que esperava resistência ao confinamento total mas recebeu apoio total. As memórias criticam a retórica antivacinas do Consell General — implicitamente de Carine Montaner — por erodir a confiança, apesar de 85% de vacinação evitar o colapso do sistema. Detalhes técnicos como testes PCR, TMA, antigénio e ventilação mecânica misturam-se com notas sobre a resiliência social.

No animado lançamento, abundou o humor: desculpas ao intérprete de língua gestual David Jiménez pela fala rápida; referências à gravata «feia» Ted Lapidus de Benazet usada repetidamente, aos cortes de cabelo caseiros falhados de Jover, e ao gato Barri de Benazet que roubou a cena nas briefings em casa. Entre os participantes estavam políticos, líderes de saúde como o presidente do Col·legi de Metges Albert Dorca e a diretora da SAAS Meritxell Cosa, o ex-embaixador Àngel Ros, e o conselheiro de Saúde catalão Josep Maria Argimon, que escreveu o epílogo. Um vídeo de Illa sublinhou laços duradouros. Ambos os autores afirmaram que não mudariam decisões principais à posteriori, vendo o livro como um tributo de fecho de ciclo à resposta de Andorra, elogiada num artigo da Forbes como modelo. O evento terminou com ovações de pé, posicionando as memórias como concorrente a Sant Jordi.

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