Psicóloga argentina alerta para esgotamento parental em workshop no Andorra
Macarena Montenegro destaca o confronto entre papéis de cuidador e trabalhador que alimenta exaustão, insónias e sentimentos de inadequação parental na sociedade moderna.
Pontos-chave
- Esgotamento parental é exaustão extrema com sentimentos de inadequação, para além da fadiga normal; sinais incluem insónias, nervosismo e tensão muscular.
- Causado por falta de apoio, desequilíbrio trabalho-família e hipervigilância constante em culturas exigentes.
- Tensiona laços pais-filhos via dissociação induzida por stress; pico na primeira infância, risco maior para mulheres.
- Solução: 'plano de sobrevivência mínima' — priorizar essencial, procurar ajuda, reavaliar papéis perfeccionistas.
Macarena Montenegro, psicóloga argentina graduada e residente no Andorra, alerta que os papéis de cuidador e trabalhador frequentemente colidem na sociedade moderna, alimentando o esgotamento parental. Na quinta-feira, orientou um workshop sobre o tema no Hive Five Coworking no Andorra, recorrendo à sua experiência de apoio a famílias através do perfil de redes sociais @maternarmigrando.
O esgotamento parental, explica ela, vai além da fadiga normal. Trata-se de uma síndrome específica ligada à criação de filhos, marcada por profundos sentimentos de inadequação como progenitor — uma sensação de ser completamente ineficaz. «É uma exaustão extrema que persiste mesmo após o descanso, deixando as pessoas queimadas», afirma. Sinais de alerta iniciais incluem insónias, nervosismo constante, mal-estar geral, cansaço persistente e tensão muscular.
As causas são variadas, mas comumente provêm da criação de filhos sem redes de apoio adequadas e da dificuldade em equilibrar trabalho e vida familiar. Os cuidadores entram num estado de hipervigilância constante, sem alívio para o reduzir. Montenegro aponta uma contradição social: os pais esforçam-se por estar totalmente presentes para os filhos, mas as culturas laborais exigentes esperam dedicação total. Esta sobreposição cria um ciclo vicioso.
A condição pode tensionar os laços entre pais e filhos, embora não diminua o amor. Níveis elevados de stress desencadeiam dissociação cerebral, deixando os pais incertos sobre como reagir. Para romper o ciclo, Montenegro recomenda um «plano de sobrevivência mínima» nos dias avassaladores — priorizar o essencial em vez da perfeição, como optar por uma pizza pronta em lugar de uma refeição saudável caseira. Isto ganha tempo para procurar ajuda e reavaliar papéis parentais autoimpostos.
O esgotamento pode ocorrer em qualquer fase da criação de filhos, embora atinja o pico no início devido às exigências intensas dos bebés. À medida que as crianças ganham independência, os pais obtêm espaço para respirar. Embora possa afetar qualquer pessoa profundamente envolvida no cuidado, as mulheres enfrentam riscos mais elevados devido a papéis de género enraizados, pressões laborais e expectativas sociais.
Fontes originais
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