Esquema de referência inversa para doentes de baixa acuidade no SU com adesão de apenas 5% após dois anos
Caminho aprovado pelo Governo permite triagem no serviço de urgência redirecionar queixas de cuidados primários para médicos de família com consulta prometida em 48 horas, mas.
Pontos-chave
- Caminho aprovado pelo Governo permite triagem no serviço de urgência redirecionar queixas de cuidados primários para médicos de família com consulta prometida em 48 horas, mas.
O serviço de urgência introduziu há cerca de dois anos um circuito de referência inversa, aprovado pelo Governo, para redirecionar doentes com queixas de cuidados primários para os seus médicos de família. Dois anos depois, apenas cerca de 5% dos utentes que poderiam ser referenciados aceitam sair do hospital sem serem atendidos, com a garantia de serem vistos pelo seu médico de família (ou outro médico de cuidados primários) em 48 horas.
Ivette Ruiz, chefe do serviço de urgência, diz que a baixa adesão é «multifactorial»: a mensagem pode não ter chegado à população; os doentes decidem com base na sua perceção da gravidade da doença e na necessidade de cuidados imediatos; e agendar uma consulta de cuidados primários em 48 horas pode ser difícil devido às agendas dos médicos de família. Ela nota que o sistema exige que o doente aceite a referência na triagem, após o qual a equipa tenta agendar uma consulta com o médico de família antes de o doente sair.
Ruiz compara a experiência atual com a introdução dos turnos de cuidados primários fora de horas, que também demoraram a ser conhecidos e aceites, mas que agora estão estabelecidos. A facilidade de acesso ajudou: os serviços fora de horas estão localizados na área de consultas externas do hospital, pelo que os doentes são frequentemente direcionados para lá primeiro, pois encurta os tempos de espera e é conveniente. Uma familiaridade e consciencialização semelhantes ajudariam o caminho de referência inversa, diz ela.
Uma razão comum para os doentes ficarem no hospital é que não se consegue garantir uma consulta no prazo de 48 horas. Ruiz reconhece a colaboração e disponibilidade dos médicos de cuidados primários para operar o circuito, mas também destaca a pressão sobre as consultas de cuidados primários como fator limitante.
Aproximadamente dois terços dos doentes que recorrem ao serviço de urgência são níveis de triagem 4 e 5, indicando baixa urgência. Destes, cerca de 20% seriam adequados para referência inversa. Alguns doentes em níveis de triagem baixos ainda precisam de atendimento de urgência porque a sua condição requer exames complementares, como radiografias.
O que impulsiona os tempos de espera são picos de procura — aumentos sazonais no inverno, surtos ao meio-dia e eventos específicos — e não apenas a presença de doentes de baixa complexidade. O serviço de urgência está organizado para separar fluxos de baixa e alta urgência, e nos últimos dois anos uma equipa dedicada de urgência móvel (SUM), desvinculada dos cuidados internados, tem ajudado a acelerar o atendimento de casos menos graves. Ruiz diz que ter uma equipa separada reduziu os tempos de espera para estes doentes, que anteriormente podiam ficar isolados na fila enquanto a equipa atendia outras tarefas.
O serviço planeia trabalhos internos para identificar melhorias que possam aumentar a adesão à referência inversa. Ruiz sugere avaliar se a explicação dada aos doentes é clara e aceite, e se esforços ou estratégias de comunicação adicionais poderiam incentivar mais doentes a usar o caminho.
Fontes originais
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