Líderes das pensões de Andorra alertam para ano perdido na reforma face a riscos crescentes de viabilidade
Presidentes do fundo de pensões e da segurança social expressaram frustração perante deputados pelo atraso nas reformas, em meio a pressões demográficas intensas e margens financeiras reduzidas.
Pontos-chave
- Rácio de dependência cai de 3 contribuintes por pensionista para 2,6, com pensionistas a duplicar até 2040.
- Custos anuais de pensões projetados em 570 milhões de euros; necessidade de mais de 80 000 contribuintes.
- FRJ obteve 6,39% de retorno em 2025, superando benchmarks, mas não compensa reformas.
- Responsáveis defendem ajustes paramétricos ou capitalização; atrasos exigirão medidas mais duras.
Jordi Cinca, presidente do Fons de Reserva de Jubilació (FRJ), e Marc Galabert, presidente do conselho de administração da CASS, avisaram na terça-feira que passou mais um ano sem progressos na reforma do sistema de pensões, agravando os riscos para a sua sustentabilidade a longo prazo.
Apresentando-se perante a comissão específica do Conselho Geral sobre a sustentabilidade das pensões, ambos os responsáveis expressaram frustração pela falta de avanços. «É evidente que se perdeu mais um ano», afirmou Cinca, notando que as conhecidas pressões demográficas só intensificaram o desafio. Galabert descreveu a reforma como inevitável, acrescentando: «O melhor momento era ontem; se me perguntassem ontem, diria o dia anterior».
As rácios atuais de dependência situam-se em cerca de três contribuintes por pensionista, mas as projeções indicam que descerão para cerca de 2,6, com os rendimentos das contribuições a aproximarem-se dos pagamentos de pensões. Até 2040, espera-se que o número de pensionistas duplique, elevando os custos anuais para cerca de 570 milhões de euros. Manter os rácios atuais exigiria mais do que duplicar os contribuintes, de cerca de 40 mil para mais de 80 mil — um cenário que Cinca considerou difícil de absorver para Andorra.
Cinca instou os decisores políticos a ponderar os dados sobre taxas de natalidade, imigração, emprego e pensionistas em conjunto, avisando que os atrasos forçarão medidas mais duras mais tarde. Enfatizou que, embora ajustes paramétricos como contribuições mais elevadas sejam possíveis, podem ser necessárias mudanças estruturais que incorporem capitalização, embora o papel do FRJ se limite a fornecer dados e alertas, não a decidir políticas. «Qualquer modelo é legítimo; não fazer nada não é», disse, incentivando os grupos parlamentares a propor opções para avaliações de impacto e implementação faseada.
Galabert referiu o abrandamento do crescimento dos salários e da massa empregada, com o ramo geral a registar um défice de 38 milhões de euros em 2025 e excedentes em contração no ramo de pensões. Os pontos atribuídos totalizam 151,8 milhões para quase 195 600 contribuintes, no valor de cerca de 410 milhões de euros aos valores atuais de 2,77 euros por ponto. Mantêm-se superávits com um crescimento anual de 2-2,5%, mas as margens estão a estreitar-se.
O FRJ reportou um retorno de 6,39% em 2025, superando o seu benchmark de 5,70% e fundos comparáveis espanhóis (4,85%), italianos (5%), mistos da Zona Euro (4,63%) e suíços (5,81%). Isso gerou 105,4 milhões de euros em ganhos de carteira, com um resultado contabilístico líquido de 131,8 milhões de euros após 2,3 milhões em comissões. Os retornos acumulados a dez anos médiasaram 28,2%, superando a inflação e os depósitos bancários. O desempenho inicial de 2026 é projetado em 2,7-2,8% até maio, apesar da volatilidade do mercado.
Os responsáveis enfatizaram que os fortes resultados financeiros não eliminam a necessidade de reforma, pois as tendências atuariais apontam para desequilíbrios inevitáveis. Cinca defendeu a fiabilidade dos estudos, atribuindo variações passadas ao crescimento, mas insistindo que a direção geral exige ação.
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