Voltar ao inicio
Negocios·

Crise habitacional na Andorra reduz anúncios e impulsiona plataforma de partilha de quartos Habitació.ad

A escassez habitacional na Andorra fez cair os anúncios nos principais portais como pisos.ad e Buscocasa, de quase 5000 imóveis há cinco anos para cerca de 1800 e 834 respetivamente nas últimas

Sintetizado a partir de:
Diari d'AndorraBon DiaAltaveu+3

Pontos-chave

  • Anúncios habitacionais na Andorra caíram para 1800 no pisos.ad e 834 no Buscocasa, de 5000 há cinco anos.
  • Habitació.ad lançada para partilha de quartos a 525-950 euros/mês face à inacessibilidade de apartamentos.
  • Procura aumenta por crescimento económico, vendas fora de mercado e redução de oferta por arrendamentos turísticos.
  • Partilha de quartos torna-se necessidade estrutural com rendimentos médios em torno de 2000 euros.

A escassez habitacional na Andorra fez cair os anúncios nos principais portais como pisos.ad e Buscocasa, de quase 5000 imóveis há cinco anos para cerca de 1800 e 834 respetivamente nas últimas semanas.

Este tipo de partilha tornou-se uma necessidade estrutural, levando ao lançamento da Habitació.ad, uma plataforma dedicada à arrendamento de quartos individuais. Os quartos custam tipicamente entre 525 e 950 euros mensais, muitas vezes limitados a uma cama e secretária em apartamentos partilhados por até cinco pessoas. Exemplos incluem 850 euros em Andorra la Vella, 650 euros em La Massana e 525 euros em Ordino — preços que outrora bastavam para apartamentos completos.

O criador anónimo da plataforma destacou o caos das opções anteriores, dependentes de grupos fragmentados no Facebook com poucos detalhes. A Habitació.ad oferece anúncios verificados, filtros, perfis de utilizadores e funcionalidades de denúncia, servindo recém-chegados, trabalhadores temporários, residentes e internacionais face à procura constante.

Toni Capella, CEO da pisos.ad, e Diego de Prado, da Buscocasa, apontaram a procura crescente que ultrapassa a oferta. Os imóveis vendem-se frequentemente fora do mercado ou antes de serem anunciados, uma tendência especialmente acentuada nos novos edifícios vendidos ao plano — muitas vezes metade vendida antes do início da construção — e no stock de segunda mão em declínio. Os anúncios de arrendamento são praticamente inexistentes; os que aparecem pedem preços elevados após falharem canais mais rápidos. O número de agências manteve-se estável ou cresceu, mas cada uma lista muito menos imóveis devido à oferta limitada. Os portais continuam activos para profissionais, incluindo peritos e arquitectos que os usam para avaliações.

Capella detalhou causas mais profundas: os restos de execuções hipotecárias pós-crise de 2012 desapareceram; as vendas rápidas removem os anúncios depressa; os arrendamentos turísticos via plataformas como a Airbnb reduziram a oferta residencial; e o crescimento económico e abertura da Andorra intensificaram a pressão. De Prado notou um aumento das consultas no último ano, com agentes lamentando a incapacidade de ajudar.

Vozes do sector, incluindo da La Veu Lliure, alertam que as cifras dos portais dão apenas uma visão parcial, pois a forte procura transfere vendas para negócios privados, podendo distorcer a percepção do mercado mais amplo.

O criador da Habitació.ad enfatizou a permanência da partilha de quartos face a rendimentos médios próximos dos 2000 euros contra custos crescentes. A plataforma evita fixar preços ou envolvimento oficial, focando-se na organização do mercado, com planos para melhor verificação e correspondência. As autoridades não comentaram.

Partilhar o artigo via